Saturday, March 11, 2006

Praça da Liberdade



O mais tradicional centro político de Minas Gerais passa agora a se chamar Circuito Cultural Praça da Liberdade. Todos os prédios das Secretarias Estaduais localizados na praça foram transformados em Centros Culturais e Turísticos. A Secretaria de Defesa Social tem espaços para exposições, cinema, vídeo, música, dança e teatro, além de auditórios e salas para debates e atividades educacionais. A Secretaria da Fazenda é a sede da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, com a criação de uma sala de concertos com capacidade para 600 pessoas. A Secretaria de Educação continuará como sede do Centro de Referência do Professor com atividades ligadas à educação e à cultura e finalmente a Secretaria de Transportes e Obras Públicas que abrigam um Centro de Mineralogia, Espaço Giramundo do Teatro de Bonecos, Oficina Escola do Livro e outros. Fazem parte também do Circuito Cultural o Museu Mineiro, o Arquivo Público Municipal e a Biblioteca Pública, que mantém os seus projetos em funcionamento.
A Praça da Liberdade deixa de ser a praça do Poder e se torna Praça das Manifestações Culturais. Para R icardo Figueiredo, professor de História, o circuito cultural da Praça da Liberdade é um projeto positivo, mas não é um espaço de aglomeração das classes mais populares. Essas pessoas continuam se sentindo deslocadas pelo que a Praça representa. “A cidade tem muros invisíveis, e a Praça da Liberdade é um deles”, reforça. A estudante Silvia Kelly de Brito sempre que pode vai até a praça. Para ela é um lugar de tranqüilidade onde estuda e descansa a mente das coisas do cotidiano.
A construção do Conjunto Arquitetônico e Paisagístico da Praça da Liberdade foi iniciada na época da fundação da nova capital (1895-1897). Feita para abrigar a sede do poder, as primeiras Secretarias de Estado, obedeciam à tendência da época - estilo eclético com elementos neoclássicos. Ao longo dos anos, o núcleo foi recebendo construções de diversos estilos arquitetônicos. Na década de 40, o estilo Art Decô com revestimento em pó de pedra do Palácio Cristo Rei, nas décadas de 50 e 60, prédios modernos foram incorporados ao conjunto, como o Edifício Niemeyer e a Biblioteca Pública; e nos anos 80, em estilo pós-moderno, foi inaugurado o prédio conhecido como “Rainha da Sucata”, onde hoje funciona o Memorial Mineração. A praça conta ainda com o coreto e a fonte luminosa.
O Palácio da Liberdade foi inaugurado em 1898. A construção reflete a influência do estilo francês na arquitetura da capital, com requintes de acabamento. A escadaria de ferro e estruturas metálicas foram importadas da Bélgica. Destacam-se os jardins em estilo rosal, o salão de banquete a Luís XV, as pinturas do salão nobre e o grande painel de Antônio Parreira. Propõe também um forte diálogo com elementos históricos presentes nas colunas imitando as gregas, nas guirlandas e nos medalhões. Existe uma preocupação com a simetria, as linhas se repetem conduzindo o nosso olhar e dando ritmo aos traçados. As ordens são caracterizadas por estrias verticais que servem de apoio aos blocos horizontais. Há um trabalho com a geometria, onde as janelas estão todas na mesma proporção, com detalhamentos da influência barroca. Também existem arcos, volumes, e um rosto desenhando uma figura feminina com os cabelos bem detalhados. As cores dos edifícios são mais sóbrias como o verde-claro, o branco e o bege.O conjunto da Praça da Liberdade, previsto inicialmente para receber apenas o Palácio do Governo, passou a concentrar os prédios das Secretarias de Estado,
transformando-se ao mesmo tempo em centro do Poder Estadual e referência da identidade.

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